quinta-feira, 4 de novembro de 2010

carta para ti

Acordo ainda de noite e, no meio da revolta por terem passado a fugir as horas de descanso, descubro que afinal ainda nem é hora de acordar. Mais um dia em que me antecipei ao despertador. A consciência de tudo o que tenho para fazer não me deixa descansar.
Levanto-me a contragosto, enfrento a caloraça do dia e desço para o pequeno-almoço (iogurte, sumos e cereais), e espero que vão descendo, um a um, os 3 roommates. Demoramos mais de 20 minutos a fazer, de carro, o percurso que leva 15 minutos a fazer a pé, mas a temperatura não facilita e não queremos correr o risco de ser apanhados de pasta na mão.
No escritório agilizamos os cafés e fazemos surgir a confusão - chama daqui, chama dali, todos precisam de apoio, todos querem uma opinião, e nunca sei bem para onde me virar... tenho trabalhos aqui e noutras províncias, todos a aguardar por uma agenda mais organizada.
Saímos todos os dias para almoçar, em casa, depois das 13. A cozinheira é magnífica, tenho que fazer um esforço para não me atafulhar de comida. Vivo no meio de homens despudorados que partilham pensamentos a todas as horas. Don't get me wrong, a maior parte do tempo nem os oiço, mas há dias de batia-co'a-porta-e-não-voltava. E depois voltamos ao escritório, sem hora para sair, seja como for quanto mais tarde melhor, que vamos no sentido do mundo inteiro e demoramos horas, se for demasiado cedo. Descansamos, banhamo-nos, comemos (não amamos, não oramos).
Levo sempre o computador para casa. Vou sempre ouvir música e ver séries antes de dormir, mas só em intenção. Acabo por dormir. E começa tudo outra vez...
É assim que me despeço todas as segundas até à próxima sexta.
À sexta, é diferente (sexta não é só o dia do homem!) - vamos comer, beber, dançar, jogar, cozinhar, passear, morenar, churrascar, cucar... tudo pelo que o bom emigrante português anseia a semana toda! Organizamos boleias, cada um traz um amigo também, levam-se guitarras e bandolins, maracas e ovinhos, faz-se muita música, inventa-se muito, recordam-se outros tempos, e até já se ouviram Versos nestas bandas. E nem faltam cá os escuteiros. Descobrimos que o mundo é uma ervilha, trocamos contactos, fazemos planos para o dia seguinte, o fim-de-semana seguinte, o mês seguinte, uma tainada na tuga pelo natal, uma tainada aqui pelo regresso. Tiramos fotos e prometemos enviar. Praguejamos pelo almoço que não chega, tostamos mais um pouco, nadamos mais um pouco, ligamos ao homem do leme e regressamos de vento e ondas na cara, gratos pelo mussulo, pela areia, pelo verde e pelos dias bem passados, e por que estes continuem, na companhia uns dos outros.

Por isto é que Benguela não me falta, ainda que esteja no meu coração. E a pressão e o caos sempre foram meus aliados (e mantêm-se, pelo menos por enquanto).

5 comentários:

B. disse...

Nice!
Boa vida, esta! ;o)

Pilipili disse...

Que saudades... :s

moça disse...

anda só! anda só! anda só!
(chearleading mode...)

C&M disse...

Saudades destes fim de semanas! Saudades imensas de ti, de ter ter por cá ...por nâo, nâo é a mesma coisa!
Beijo enorme!

moça disse...

:( Eu sei que não é a mesma coisa, linda.. nem estar por cá e não te ter por perto.. talvez esteja na hora de começares a pensar em voltar para nós! Ainda por cima agora temos um sobrinho purpurina :)