sexta-feira, 18 de setembro de 2009

57 anos

Pensei em falar no simbolismo do número, mas tive demasiadas dúvidas. Devo conjugar as interpretações do 5 e do 7 ou fazer 5+7=12=1+2=3? Ou usar os dois métodos e interpretar todos - 3, 5 e 7? E que raio pode ter verdadeiramente a ver a simbologia dos 3 números com mais um ano na tua vida? Além disso, já viram o que significa? Trindade, aventura e perfeição? Como interpreto isto verdadeiramente e encontro uma forma simples e bonita de te lisonjear com base nisto?

Então pensei em falar na tua vida. Como cresceste no pior dos contextos. Qual era o tua alcunha em criança (a ceboleira). Como tinhas uma personalidade irrequieta e descontraída. Que eras maria-rapaz, que corrias atrás dos outros miúdos, eras uma bully! Como te foste tornando feminina, independente, determinada, reivindicativa, forte e decidida.
Depois pensei como são surpreendentes as coisas que me fazem rever em ti. Esta força (às vezes imparável) de origem desconhecida, a proximidade que o coração tem da minha boca, o descaramento e a capacidade de acreditar e de fazer tudo por aquilo em que acredito. Mas também a vulnerabilidade. Partilhamos esta sina de levar a peito tudo à nossa volta e não ser capaz de o manifestar. De nos sentirmos frágeis e o esconder de todos, como ninguém.
Isso só se sabe porque nos conhecemos para além das palavras, além do carinho e muito mais longe que os abraços, mesmo daqueles que só são possíveis entre mãe e filha.

Mas isto é tudo uma piroseira!

E se não fosse piroso, dir-te-ia o quanto te adoro. Gritaria o quanto te amo para todos ouvirem. Se não fosse muito piroso, dizia-te o quanto te admiro e que, ao contrário do que aquelas pessoas dizem, adoro o facto de não teres estudado, adoro o facto de seres apenas uma empregada doméstica. Adoro o facto de seres humilde, verdadeira e cruelmente honesta.
Se não fosse mais piroso que um coelho de pelúcia abraçando um coração oferecido futilmente no dia de S. Valentim, falava-te do orgulho que sinto por tudo o que representas.
Se não fosse muito piroso, lamentava todos os dias que sofreste para me teres aqui, para teres a vida que tens. Lamentava as tuas cicatrizes, lamentava as tuas dores e as tuas mágoas.
Se não fosse assim mesmo piroso, lamentava tudo o que é mau, mas agradecia por tudo. Porque isso faz de ti a mulher que eu quero ser quando for GRANDE.
E se não fosse um exagero, até dizia que nada do que eu faça vai alguma vez ser suficiente para me sentir tão boa como tu.


Mas como é tudo muito piroso, vou apenas ligar-te daqui a pouco e dizer. "Parabéns mãe!"

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