quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

perder

Perder é um verbo que gostamos de evitar.

Na verdade, usamo-lo menos vezes do que o sentimos. A perda é uma coisa de todos os dias.
Todos os dias perdemos alguma coisa: oportunidades, tempo, ligações...
Todos os dias perco hábitos que queria manter.
E tem sido frequente nos recentes anos perder contacto com pessoas que já foram as mais presentes, as mais importantes...

Vivemos na altivez de quem tem certeza do que tem à sua volta e só quando perdemos à bruta percebemos o verdadeiro significado de perder... e ganhar consciência plena de uma perda irreversível é devastador!

E mesmo que estivessemos perto, de nada adiantaria! Nada a fazer!
Mas o sentimento de impotência que nos consome deve ser o mesmo que nos dá força e nos ensina: que a vida é mesmo assim, que há coisas que nos transcendem, e além de que o que não tem solução, resolvido está, deve vir a intenção de fazer mais por valorizar o que temos antes que nos seja roubado!

E exigem que sejamos fortes quando tudo o que queremos é voltar àquele colo que nos alheava desta realidade e nos deixava em paz com a nossa inocência.

O que é ser forte afinal?
Conseguires levantar-te no dia seguinte e viver a tua rotina?
É conseguir não chorar quando os outros exigem?
Ou o simples facto de não endoidecer é suficiente para ser considerado forte?

É que eu acho que perdia a razão!

Por mais que tentem, não podem fazer nada que possa aliviar a dor.
Por muito que o digam, sabes que os outros não compreendem inteiramente.
Eu não compreendo! Eu não sei o que é! Eu não sei lidar com coisas destas!
Sei que quero dizer alguma coisa.
Sei que quero fazer alguma coisa para ajudar.
Mas não sei se ajudo ou pioro. Nem tão pouco sei o que dizer.

Por isso digo o que sei.

[Viverei o resto da vida a desejar ter aproveitado melhor cada minuto passado com alguém que o mundo perdeu... se ao menos uma foto imortalizasse um abraço]





I Win - abra moore

3 comentários:

teresa pires disse...

Cito: «...ganhar consciência plena de uma perda irreversível é devastador!»
Deus, como me revi nesse texto.
Perder é isso mesmo... desvastador, e quando nos dizem que a dor não é eterna, nós, os perdedores, só nós, os entes queridos sabemos o quanto nos magoa essa finita equação da vida... e quando nos dizem, sinto muito, nós, os perdedores, só nós, os entes queridos sabemos o quanto sentimos, e quando nos dizem que lamentam muito, só nós, os entes queridos sabemos o quanto lamentamos, e quando nos dizem que a que a vida continua, só nós, os entes queridos sabemos o quão penoso é continuar a viver!

Tem toda razão: apesar de insistirmos em comandar o nosso barco, porque achamos que temos uma ideia acerca de onde devemos ir, a “verdade é que muita da nossa pilotagem é em vão – não porque o barco não responda e não porque não sejamos capazes de descobrir o nosso destino, mas porque o futuro é fundamentalmente” imprevisível!
Cito: «...ganhar consciência plena de uma perda irreversível é devastador!»
Deus, como me revi nesse texto.
Perder é isso mesmo... desvastador, e quando nos dizem que a dor não é eterna, nós, os perdedores, só nós, os entes queridos sabemos o quanto nos magoa essa finita equação da vida... e quando nos dizem, sinto muito, nós, os perdedores, só nós, os entes queridos sabemos o quanto sentimos, e quando nos dizem que lamentam muito, só nós, os entes queridos sabemos o quanto lamentamos, e quando nos dizem que a que a vida continua, só nós, os entes queridos sabemos o quão penoso é continuar a viver!

Tem toda razão: apesar de insistirmos em comandar o nosso barco, porque achamos que temos uma ideia acerca de onde devemos ir, a “verdade é que muita da nossa pilotagem é em vão – não porque o barco não responda e não porque não sejamos capazes de descobrir o nosso destino, mas porque o futuro é fundamentalmente” imprevisível!

htsousa disse...

Infelizmente, é assim mesmo. Não há nada que ninguém possa fazer. Há ajudas e há conselhos e há distracções, mas não há soluções de terceiros.

O luto não é apenas uma palavra que já não se usa. É um processo mental, emocional e espiritual de ajuste a uma perda definitiva e insubstituível. E só o tempo aqui é companheiro, só ele ajuda. Só ele resolve...

Katiuska disse...

Gostei bastante das suas palavras...poucos são aqueles que podem compreender a profundidade das suas afirmações...