segunda-feira, 6 de outubro de 2008

:D.... :)..... :|..... :(...... :'(


Os dias passam a correr!

Parece que ainda ontem escrevia sobre o fim-de-semana passado, e quando dou conta já passou mais uma semana e mais outro fim-de-semana... ainda assim, a viagem parece ainda tão longínqua e começa a crescer uma ansiedade de voltar, estar com toda a gente, passear pelas ruas da minha cidade, olhar para o meu rio, fazer umas comprinhas (:P)...

Este fim-de-semana teve as diversões do costume - o passeio habitual, a pastelice habitual - com um pequeno acréscimo, algo que nunca imaginei, algo que ainda hoje me fascina, e quando revejo o meu fim-de-semana nem acredito que aconteceu mesmo...

Ao contrário do habitual, este último sábado trouxe consigo uma oportunidade fantástica: a de formar uma angolana! Sim, formar! Mas não em temas de interesse social, económico, intelectual, filosófico, cultural, nem sequer artístico... formar sim... mas em hotelaria!!!

Visitada por uma funcionária de limpeza (do escritório) a quem resolveram atribuir a tarefa de nos servir pequeno-almoço e almoço naquele dia (porque a nossa empregada habitual não trabalha ao sábado, vai à igreja...), qual não foi o meu espanto quando, ao solicitar que ela me preparasse o "mata-bicho" enquanto eu tomasse a minha banhoca relaxante e renovadora de sábado de manhã (preciosa, depois de uma sexta à noite de folia), a resposta dela é a seguinte:


"A Dra. tem que ensinar.... eu não sei fazer nada disso!"


Claro que fiquei a olhar para ela embasbacada durante uns segundos... lá disse que tinha apenas que aquecer leite, fazer café e colocar as coisas na mesa... e (espantem-se novamente!) voltei a fitar aquele olharzinho expectante, de quem não faz ideia do que fazer e quase implora por ajuda... não resisti ao apelo, e lá ensinei a ligar o fogão, a fazer o café (deviam ver o olhar de espanto da criatura a ver o café subir!!!), a colocar a louça na mesa, o pão, a manteiga...


A verdade é que, provavelmente, na sua ainda curta vida, ela nunca experimentou sequer um pequeno-almoço assim, não sabia sequer que existia algo melhor do que passar um dia com um prato de papa, ou farinha, ou funje, ou seja lá o que for, no estômago... e saber disto é chocante - saber que há gente que não tem, nem sabe sequer o que é ter o que nós temos, e viver o que vivemos!


E nós, por outro lado, por muito más condições que enfrentemos ao vir para aqui, por muito que tudo isto seja diferente de tudo o que conhecemos e por muito mau que seja comparado a tudo aquilo a que nos habituamos, nunca vamos saber o que é verdadeiramente viver como eles, nas condições em que vivem, com as dificuldades que têm!

Mas alertam-me, e eu acredito, para a certeza de que esta gente ainda me vai desiludir... que vou acreditar neles e eles me vão deixar ficar mal, que vou ter pena deles e eles não vão ter consideração por mim... acredito, mas quero acreditar que também me vou cruzar com o oposto, com gente que precisa de ajuda, me deixa ajudar e me ajuda também!

É claro que não seria quem sou se não estivesse já a sofrer por antecipação e sei que, mais tarde ou mais cedo, vou sentir-me inútil, vou querer abraçar (já quero!) o mundo inteiro e não vou ter braços para isso, vou querer dar colo ao mundo inteiro, mas vai ser grande demais para mim... e já sei que vou sofrer com isso, mas estou ansiosa por fazer alguma coisa e já sofro com o facto de ainda nada ter feito!



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e tirando estes momentos de reflexão, inútil como o sofrimento, cá se vai vivendo, com a cabeça entre as orelhas, mas como verdadeiros deuses, para uns, ou no inferno, para outros, é só uma questão de perspectiva... a minha é a do copo meio-cheio, e acredito que assim continuará por bastante tempo!

[Eu, no fundo sou uma pessoa muito crente :P]


PS: ali está a osga de estimação que habita a nossa janela de cozinha... vai fazendo umas aparições muito tímidas, mas é mesmo muito gira, tenho pena que não se consiga ver bem na foto, mas é assim cor-de-rosa, meio transparente... muito engraçadinha!

10 comentários:

filipa disse...

Comentário antes de ler o teu post: aí não há chocolate?!?

filipa disse...

Comentário depois de ler o teu post:
E quando deixares de ser assim já não teremos assim tanto em comum ;)

(portanto, não te atrevas! :p )

moça disse...

Haver chocolate, até há... mas além de ser muito caro, a probabilidade de estar estragado é consideravelmente elevada, vá!

JFDourado disse...

Humm, será que tens por aí a osga de "O vendedor de passados", do Agualusa?
Fica atenta. A osga do livro tinha por hábito emitir uns sons parecidos com pequenos risos, ou mesmo gargalhadas... :D

moça disse...

Espero que seja essa osga, mesmo! Talvez ela me inspire a usar apenas sorrisos... :P

Leo disse...

Acho que sim! Fazes bem em acreditar no melhor...és uma menina de coração puro! hehehe :P Parabéns pelo blog ;)
bjs
Leo

htsousa disse...

Tendo já passado por exactamente essa sensação, e tendo apanhado algumas desilusões deles, posso dizer que sim, quase de certeza que te vão deixar ficar mal, se facilitares.

Não é por maldade. Vivem num mundo de curto prazo, a esperança média de vida é de 37 anos. Não têm nada e os expatriados de classe média são riquíssimos ao pé deles. Quando têm uma oportunidade, aproveitam. Há pessoas com muito bom coração, há pessoas que ajudam. Mas confiança total, em ninguém. Aqui não dá mesmo.

Quanto a ajudar, há muitas maneiras. Uma das melhores é voluntariar num orfanato, mas há outras.

Filipa,

Aqui há o melhor chocolate do mundo: Cadbury´s por todo o lado!! :D:D:D

B. disse...

Que engraçado... (não tendo piada nenhuma, como é óbvio e espectável nas minhas observações!...)

Dizes que nós e eles nunca vamos/vão saber o como vivem(os)... (deu para perceber?...)

Eu costumo pensar mais noutra perspectiva... Tanta gente por esse mundo "afora" sem ter mais nada que comer que farinha, como dizes, e eu em crise existencial por motivos bem menos importantes... Pelo menos, parecem insignificantes quando penso assim!...

Mas enfim... Cada burro com o seu fardo.

Eu tenho a "mania", como sabes, de querer mudar o mundo. Não tanto "dar colo", como dizes, mas mais de achar que um dia vou fazer a diferença, nem que seja por ser fiel a mim mesma e não "seguir a manada"! E claro que muitas vezes (demasiadas...) me desiludo e desanimo...

Mas não há outro remédio, se não continuar.

E fico muito feliz por veres o copo meio-cheio! Por ti e por mim, enquanto beneficiária do teu optimismo contagiante!

PS: também me lembrei da osga do Vendedor de Passados... :)

(HT: tenho uma colega de trabalho que, sempre que aí vai - o que é "muitas vezes"! - visita um orfanato...)

Saudades...

moça disse...

É sempre uma questão de perspectiva, B. - coisas insignificantes para uns são os problemas existenciais de outros, mas tem que ser assim mesmo, senão os momentos em que só temos certezas não valiam assim tanto!
Espero que o meu optimismo seja sempre muito e contagiante!

Beijo saudoso! Vivrez!!!

:P

Diana Pinheiro disse...

Adoro esse optimismo... também sofro dessa doença que eu adoro ter... e é por isso que adoro trabalhar aqui: entre milhoes de pessoas com possibilidade, vejo algumas pessoas que nunca teriam possibilidades de visitar este munda de fantasia... e é vê-las com o sorriso mais aberto do mundo...
Eu acredito que, por mais desilusões que tenhas com uma pessoa, deves sempre acreditar nela (mesmo que não confies que ela faça ou pense o correcto)... mas o acreditar... acho que é meio caminho andado... e, se mostrares isso a essa pessoa, ela sentir-se-á muito melhor...
E por isso, acredito!
Acredito que o mundo vai mudando com a nossa presença no mesmo mundo! Por isso, continua com o teu optimismo! Sempre! Acredita!